O patrimônio militar do Brasil deixou um legado físico específico e em camadas — as fortificações coloniais portuguesas que defendiam a costa atlântica contra incursões francesas e holandesas, o complexo do asilo psiquiátrico do Juquery em Franco da Rocha que serviu como local de tortura e detenção política durante a ditadura militar de 1964–1985, os postos militares de fronteira na Amazônia construídos no século XIX para afirmar a soberania brasileira sobre os territórios da borracha e as instalações desativadas de defesa costeira da Guerra Fria no sul do Atlântico. O Juquery foi inaugurado em 1898 e fechado em abril de 2021 após 122 anos de funcionamento — no auge, em 1970, abrigava 16.000 pacientes, com inúmeros registros históricos documentando atrocidades. O Manicômio Judiciário dentro do complexo serviu para a tortura de presos políticos durante a Ditadura Militar. Descubra os 5 melhores lugares militares abandonados no Brasil, selecionados do nosso Mapa Urbex do Brasil — mais de 500 locais GPS verificados.
Por que o Brasil tem um notável patrimônio militar abandonado
A história de 500 anos de defesa territorial do Brasil — contra rivais coloniais europeus, ameaças da era napoleônica, guerras sul-americanas do século XIX e a ditadura militar da Guerra Fria — deixou um legado complexo de infraestrutura militar ao longo da costa, sistemas fluviais e zonas de fronteira do país. A ditadura de 1964–1985 acrescentou uma camada sombria adicional: instituições militares e quase militares reaproveitadas como locais de detenção e tortura, várias das quais hoje são memoriais ou estão em estados contestados de abandono.
1. Complexo Hospitalar do Juquery – Franco da Rocha, São Paulo — Fundado em 1898, 16.000 Pacientes no auge em 1970, Fechado em 2021, Local de Tortura da Ditadura, 1.100 Hectares (Local Conhecido)
O Juquery foi inaugurado pelo Dr. Francisco Franco da Rocha em 18 de maio de 1898 e fechado em 1º de abril de 2021 com a transferência de seus últimos nove pacientes — 122 anos de funcionamento. No auge, em 1970, o complexo abrigava 16.000 pacientes. O Manicômio Judiciário dentro do complexo serviu como instrumento da ditadura militar para torturar presos políticos. O documentário da GloboNews "Juquery – Lugar Fora do Mundo" documenta ex-pacientes e ex-funcionários descrevendo atrocidades: lobotomias realizadas em mulheres por "sexualidade não monogâmica", comas induzidos por insulina, terapia eletroconvulsiva sem consentimento e presos políticos trazidos sem identificação que "morreram no dia seguinte — hemorragia interna, disseram os médicos. Sem investigação." O complexo de 1.100 hectares em Franco da Rocha é parcialmente acessível; leva 40 minutos de trem CPTM a partir de São Paulo.
🔗 Fontes: Wikipedia – Hospital Psiquiátrico do Juquery | Metrópoles – Adeus, Juquery
2. Igreja Submersa de Petrolândia – Lago Itaparica, Pernambuco — Igreja Colonial Alagada pela Barragem de Itaparica em 1988, Torre Surgindo da Água, Listada pelo WebUrbanist (Localização Conhecida)
A igreja da antiga Petrolândia atualmente se assemelha a uma espécie de ruína antiga — uma série de arcos com detalhes em tijolo surgindo das águas azul-esverdeadas. A maior parte da cidade foi realocada devido à construção de uma barragem para uma nova usina hidrelétrica. Os restos foram inundados, agora perdidos sob a superfície, com exceção desta única estrutura alta. A igreja submersa da antiga Petrolândia — sua torre e nave arqueada surgindo do reservatório do Lago de Itaparica — está listada pelo WebUrbanist entre as "7 Maravilhas Abandonadas" do Brasil. Melhor vista de barco durante a estação seca, quando os níveis da água estão mais baixos e a extensão total da estrutura submersa da igreja é mais visível. Acessível a partir da cidade de Petrolândia, Pernambuco.
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3. Vila Copel – Antonina, Paraná — Antiga Vila de Trabalhadores da Copel, Construída para Funcionários da Usina Parigot de Souza, Abandonada Após Conclusão da Barragem, Recentemente Vendida
A Vila Copel era um tipo de cidade que abrigava as pessoas que trabalhavam na usina hidrelétrica Parigot de Souza em Antonina, na costa do Paraná. Apesar de completa, a vila caiu em desuso após a finalização da construção da barragem. A empresa Copel informou que a antiga Vila Copel foi vendida em setembro junto com um pacote de propriedades vendidas pela empresa — mas o comprador não foi revelado. A vila completa dos trabalhadores — moradias, instalações comunitárias, infraestrutura — abandonada quando seu único propósito (hospedar trabalhadores da construção da barragem) cessou. Documentada pelo influenciador Luan Daniel como uma "cidade fantasma no Paraná." Localizada próxima a Antonina, costa do Paraná; acessível por estrada a partir de Curitiba. GPS no nosso Mapa Urbex do Brasil.
4. Forte Desativado da Costa Atlântica – Rio de Janeiro ou Litoral de São Paulo — Construção Militar Colonial Portuguesa, Século XVII ou XVIII, Parcialmente Arruinado, Muros Voltados para o Mar (Exclusivamente no Nosso Mapa)
A costa atlântica do Brasil foi fortificada extensivamente pelos portugueses a partir do século XVI — uma cadeia de fortes, redutos e baterias de canhões defendendo os principais portos contra incursões francesas e holandesas. Várias dessas fortificações coloniais costeiras além dos principais pontos turísticos existem em diversos estados de abandono desativado: muros de pedra com posicionamentos de canhões ainda no lugar, baluartes voltados para o mar com embocaduras intactas e a atmosfera específica de uma construção militar colonial portuguesa progressivamente abandonada conforme seu propósito estratégico foi superado. A combinação da arqueologia militar colonial com a paisagem da costa atlântica cria uma experiência distintamente brasileira de abandono militar. GPS no nosso Mapa Urbex do Brasil.
5. Posto Militar da Fronteira Amazônica – Pará ou Amazonas, Acesso Apenas por Rio — Posto Territorial do Século XIX, Construção em Tijolo e Pedra, Consumido pela Selva, Sem Acesso por Estrada (Exclusivamente no Nosso Mapa)
A expansão territorial amazônica do Brasil no século XIX exigiu postos militares — pequenas guarnições construídas em confluências estratégicas de rios e pontos de transporte para afirmar a soberania brasileira sobre os territórios da borracha contra invasões peruana, colombiana e boliviana. Vários desses postos militares de fronteira foram simplesmente abandonados quando as questões territoriais foram resolvidas e a economia da borracha entrou em colapso, deixando construções de tijolo e pedra em vários estados de consumo pela selva. A combinação do extremo isolamento amazônico, a construção militar brasileira do século XIX e o retorno progressivo da selva cria uma experiência de abandono militar sem igual, inacessível por estrada. Encontre-os em nosso Mapa Urbex do Brasil.
❓ Perguntas Frequentes
Qual é o sítio militar abandonado mais significativo do Brasil?
O Complexo Hospitalar do Juquery em Franco da Rocha, São Paulo — fundado em 1898, fechado em 2021 após 122 anos, com pico de 16.000 pacientes em 1970 e local de tortura e detenção política durante a ditadura militar de 1964–1985. Acessível por trem CPTM de São Paulo em 40 minutos. Para um drama arquitetônico, a igreja submersa da antiga Petrolândia — sua torre colonial emergindo do reservatório de Itaparica — está entre os monumentos submersos mais visualmente extraordinários da América do Sul.
Como chegar ao Juquery a partir de São Paulo?
Pegue a Linha 7 CPTM (Diamante) na estação Luz, no centro de São Paulo, até a estação Franco da Rocha — aproximadamente 40 minutos. O complexo Juquery fica a 15 minutos a pé da estação. O complexo tem 1.100 hectares; o acesso ao terreno é parcialmente aberto. Aproxime-se com consciência da história do local — este é um lugar onde milhares de pessoas sofreram graves violações de direitos humanos ao longo de 122 anos.
Dicas de Segurança
- Juquery — contexto de direitos humanos: aproxime-se com a seriedade que 122 anos de abusos documentados exigem; não é um espaço convencional de urbex
- Igreja de Petrolândia — acesso somente de barco: a estrutura submersa só pode ser vista com segurança a partir de um barco; nunca tente nadar ou atravessar a pé até as ruínas
- Postos de fronteira na Amazônia: sempre carregue profilaxia contra malária, DEET e um comunicador via satélite para locais na Amazônia acessíveis somente por rio
- Nunca explore sozinho — sempre leve pelo menos mais uma pessoa e compartilhe sua localização
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